segunda-feira, 2 de novembro de 2015

FRASES DA SEMANA 5



"¿SABE QUAL É A DIFERENÇA ENTRE A FUNKEIRA E O EMPREENDEDOR? É QUE A PRIMEIRA REQUEBRA; O SEGUNDO SÓ QUEBRA. ENTÃO VAI! DESCE ATÉ O CHÃO, ORDINÁRIO!"

Mestre Galindo Pinto, anestesista, carnavalesco e empreendedor.


"QUANDO ALGUÉM ME DIZ QUE VAI PRESTAR CONCURSO PÚBLICO, EU NÃO SEI SE ATIRO NO SUJEITO OU SE LHE DOU UMA ARMA, PARA QUE ELE ACABE LOGO COM O MEU SOFRIMENTO."

Doutor Felisberto Fúnebre, médico legista e terapeuta motivacional.

POSTAGEM-RELÂMPAGO 7



1- Uma forma indireta de se conhecer seus clientes é conhecendo os clientes da concorrência (caso você saiba quem é). Freqüente você-mesmo os estabelecimentos deles, use seus serviços ou produtos e anote tudo!

2- Saiba tudo o que a clientela do concorrente diz de bom ou de ruim a-respeito dos produtos e serviços que consome. ¿Há insatisfeitos? ¿Há defensores? Bisbilhote os sites de reclamação e leia o que eles dizem!

3- As redes sociais podem lhe dar um tremendo banco-de-dados sobre seus clientes. Bisbilhote perfis, observe as curtidas, entre furtivamente em grupos-de-debate, veja que informações são compartilhadas. 

4- Conheça também seus não-clientes, quer dizer, pergunte o que seu produto ou serviço deveria eliminar ou acrescentar em características e funcionalidades para que outras pessoas também o consumissem.

5- Seja tarado, vìciado, obcecado, fissurado, paranóico com seus clientes, pois eles decidirão se continuarão ou não com você em questão de segundos. E você não poderá forçá-los a nada: você não é o Estado. 

6- Troque favores por informações sobre clientes. Se você já tem um negócio, aplique enquetes para conhecer o perfil deles. Ofereça descontos, promoções e brindes àqueles que responderem suas pesquisas.

7- Converse com pessoas fora do seu grupo, investigue-as, relacione-se! Você precisará ser mezzo antropólogo, mezzo jornalista investigativo: uma mistura de Roberto Cabrini com Orlando Villas-Bôas. 

8- Faça um levantamento das associações, organizações, sìndicatos, conselhos, etc. que tenham relação direta ou lateral com seu ramo de negócio. Participe de eventos, congressos, seminários e feiras da sua área.

9- Pesquise tudo sobre o ponto onde você pretende oferecer seu produto ou serviço: nível de renda, média de idade, escolaridade, estilo de vida, os carros, as casas, a infraestrutura de comércio e diversão que há ali.

10- Em SP, a Fundação SEADE disponibiliza gratuitamente, em seu site, informações sobre o perfil dos municípios paulistas. (Veja nos Links Úteis). Mas isto ainda é muito básico. Você precisará de informações refinadas.

11- Os gurus dizem que é possível conhecer o tamanho do mercado em que você atuará consultando Sindicatos Patronais e Associações Comerciais. Eu, pessoalmente, acho esses dados pouco confiáveis.

12- Seus clientes seguem rotinas e padrões de conduta microssociais; mas eles também são influenciados por tendências macrossociais que modificam esses padrões e rotinas. Detecte ambos e relacione-os.

13- Um empreendedor é um garimpeiro de tendências. Fique sempre de-olho nelas! Duas ferramentas bem básicas são o Google Trends e os Trending Topics do Twitter (Veja nos Links Úteis). Outra ferramenta é a sua intuição!

14- A pesquisa de tendências é importante para que você sonde qual é o melhor timing (momento, comemoração, efeméride) para lançar um novo produto ou serviço. Um bom timing pode catapultar seu negócio.

15- Mas não é só isso: você precisará diferenciar uma tendência de onda longa e volume robusto que poderá sustentar seu negócio por vários meses, dum simples modismo passageiro que não deve ocupá-lo tanto.

16- Parece bobo o que eu vou dizer, mas tenha empatia: coloque-se no lugar do seu cliente e sempre se pergunte como você gostaria de ser tratado. É incrível a quantidade de empresas que ignoram esse preceito básico.

17- Por fim, jamais deixe de pivotar seu produto ou serviço, quer dizer, pense por quais modificações de funcionalidade ele poderia passar com vistas a conquistar outro público que fosse maior, mais fácil ou mais rico.

Até-mais-ver!

domingo, 1 de novembro de 2015

CAPÍTULO 10- NÃO PROCURE BONS GURUS; PROCURE SEU BOM-SENSO!

Há os bons conselheiros, há os maus conselheiros e há os consultores.



Entenda uma coisa, ó criança do papai: você não deve seguir os conselhos dum guru ou metafísico motivacional só porque ele tem mestrado & doutorado pela University of Mother Fucker in the Fields. Você não deve sair por aí comprando os calhamaços do sujeitinho e fazendo seus cursos online só porque ele tem anos & anos de experiência quebrando empresas e arruinando investidores. Você não deve endeusá-lo como um aiatolá fanático só porque ele possui títulos, prêmios, medalhas, prebendas, beija-mãos e nomeações dadas por gente tão lesada quanto ele. Nada disso! Você deve ouvir, antes-de-mais-nada, os conselhos dum consultor que trabalha dentro de você: aquela voz interna e tão sua; aquele bom-senso amigo que lhe diz assim: Isso é uma cilada, Bino! Um guru só vai lhe oferecer aquilo que você já tem aí dentro: seu bom-senso.

É claro: seu bom-senso pode estar ensebado por aquela ingènuidade presunçosa que é típica da juventude. Ele também pode estar em estado bruto, não-devidamente desbastado pela experiência e por conhecimentos complementares que um guru poderá (isto sim) lhe oferecer. Pode ser que você precise ainda dum "olhar fora da caixa" capaz de enxergar em seu modelo-de-negócio, produto ou serviço coisas que você não viu ou não quis ver. (¿Lembra-se dos ciúmes de autoria?). Até-mesmo sua formação acadêmica pode ter "capado" seu bom-senso, com aquelas ferramentinhas comportadinhas de gestão. Por último e não-menos importante, seu bom-senso pode ter sido vampirizado e contaminado por conselhos recebidos daqueles mesmos "gurus gèniais" aos quais você dedicou seu cérebro em sacrifício, durante um ritual pagão chamado mentoria.

Vou lhe contar um segredo: um bom guru recusa este nome de guru, sabia? Um bom conselheiro de empreendedores é aquele que lhe oferecerá poucas respostas prontas, mas antecipará muitas das perguntinhas embaraçosas que seus futuros clientes, parceiros ou investidores certamente lhe farão. Conselheiros honestos são sempre práticos e diretos. Eles dizem: "pegue isto e faça aquilo, pois eu já fiz assim e deu certo!" Eles sempre levarão em consideração a possibilidade de estarem errados — e inclusive anteciparão as vàriáveis e incógnitas que poderão tornar seus próprios conselhos inúteis ou suicidas. Boas dicas são sempre calcadas na experiência do próprio emissor — sobretudo nas malogradas —; ou no bom-senso que o emissor compartilha com o receptor dessas dicas. Por fim, bons conselheiros são generosos, desprendidos e não escondem segredinhos dentro da cartola. 

Uma coisa que eu aprendi acompanhando empreendedores é que eles são pessoas que atribuem seus sucessos à própria sensatez. Há sim, na personalidade dos empreendedores, uma camada geológica profunda e fervente, toda feita de criatividade, de perseverança e de entusiasmo. Mas isso-tudo jaz devidamente soterrado sob sedimentos mais frios de prudência e pé-no-chão, pragmatismo e racionalismo, autocontrole e humildade intelectual. ¿E querem saber duma coisa? Eles desprezam a literatura de autoajuda criada para fazer-dinheiro às custas do modismo empreendedor. Nunca vou me esquecer dum diretor de startup que entrevistei no doutorado, com idade para ser meu aluno, e que me disse in-off o seguinte: "Esse tipo de livro (de autoajuda empreendedora) eu coloco na minha estante entre as fábulas do Esopo e as piadas do Danilo Gentili."

Antes-de-mais-nada, meu filho, você não precisa pagar por conhecimentos que gente como eu oferecer-lhe-á quase de-graça na Internet ou na biblioteca — aquele lugar onde os povos antigos punham tabletes feitos de papel e escritos com tinta, contendo seus saberes arcanos. As primeiras etapas do seu negócio são as mais frágeis financeiramente e as mas carentes intelectualmente. Quero dizer o seguinte: você terá pouco dinheiro e precisará de muitas idéias viáveis. E o problema é que os ditos gurus poderão lhe oferecer idéias erradas com a promessa de que sejam viáveis — e tudo isso às custas daquele dinheiro que você não tem. E eu não me refiro apenas às consultorias empresariais mirabolantes com precinhos proibitivos, mas também a livros e cursos online que podem não ser o que você, empreendedor universitário, precisa neste momento inicial do negócio. 

Compreenda: eu não pretendo declarar aqui uma jihad contra os mentores e coaches: eu-mesmo quero escrever meus livros, vender meus cursos, oferecer minhas palestras, dominar o mundo e fazer dos humanos meus escravos. (Ops!) O que eu venho lhe propor é que você faça para si-mesmo as seguintes perguntas: ¿Que conhecimentos & habilidades me faltam como empreendedor nesta área específica? ¿Como eu poderia adquirir sòzinho esses conhecimentos & habilidades, sem ter de pagar por eles? ¿Onde? ¿Com quem? ¿Como? Mas não podendo consegui-los de-graça, ¿qual seria o perfil das pessoas que eu deveria procurar para me aconselhar? ¿Que serviços eu deveria receber dessas pessoas e a que preço? ¿Como garantir que os serviços que eu receberei delas sejam os mesmos pelos quais eu estarei pagando? ¿Quando e como essas pessoas deverão entrar em minha empresa?

Resumindo: caso você precise mesmo dum mentor, coaching ou ciganas do mesmo gênero, não procure pessoas zabumbadas ou famosinhas: elas não terão tempo para ouvi-lo! Prefira pessoas criativas, acessíveis e excêntricas, vindas de fora do seu ramo e com saberes diversos, mas que compartilhem dos mesmos valores morais e propósitos de autonomia, mèritocracia e realização que você. Perceba se a pessoa tem didática e paciência para lhe ensinar os macetes. Há pessoas que sabem muito, mas só para elas. A didática é a capacidade de simplificar o que é complicado, por meio de exemplos, metáforas, diagramas, ilustrações, parábolas, experimentos, teatrinhos-de-fantoches e tapas na sua cara. Prefira pessoas que já tenham fracassado, quebrado empresas e superado perrengues. Sim: foi isto o que eu disse: procure os fracassados, mas não os ressentidos.

O trágico é que a crise econômica e político-moral que este país atravessará pelos próximos dez ou vinte anos (escrevam!) retirará muita gente boa do mercado-de-trabalho formal, empurrando-as em direção aos perigosos arrecifes do empreendedorismo. E muitos abrirão seus próprios negócios iludidos e sem nenhuma experiência anterior. Eis a receita para o caos! Sabendo disto, uma série de ditos gurus de opereta & fancaria já sentiram o cheirinho da carne-fresca no ar; e vislumbram a possibilidade de ganhar dinheiro vendendo elixires de riqueza em frasquinhos de esperança. Mas agora, leitor, você deve estar querendo me perguntar: "Fernando, a cautela que você aconselha que tenhamos em relação aos conselhos dos gurus ¿também se aplica aos seus conselhos?" Resposta: certamente! Mas antes de decidir se continuará lendo ou não meu blog, consulte seu bom-senso.

Até-mais-ver!

¿QUEM É JOHN GALT?
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