sábado, 31 de outubro de 2015

FRASES DA SEMANA 4



"VOCÊ CARREGA DENTRO DE SI A FONTE DE TODAS AS RIQUEZAS DO UNIVERSO. SÓ NÃO DEIXE A RECEITA FEDERAL SABER DISSO."

Doutor Pelúcio Severo, astrólogo e coach motivacional.

"EMPREENDEDORES SÃO COMO BORBOLETAS: A MAIOR PARTE DA VIDA DELES É UMA FEIA PRÈPARAÇÃO PARA UM VÔO BAIXO."

Giuseppino Della Breca, entomologista, antropólogo e guru.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

POSTAGEM-RELÂMPAGO 6


1- Voltarei a este tema várias & várias vezes, pois conhecer muito bem seus clientes e coletar o máximo possível de informações sobre eles será vital e fatal para sua sobrevivência como empreendedor.

2- Se o diabo aparecesse para mim e me prometesse responder, com absoluta certeza, uma única pergunta em troca de minha alma, eu só lhe perguntaria o seguinte: Tinhoso, diz aí: ¿quem são meus clientes? 

3- Saber tudo sobre seus clientes permitir-lhe-á, dentre outras coisas, aperfeiçoar seu produto ou processo, focalizar seu alvo para a estratégia de marketing e revisar os pressupostos do seu modelo-de-negócio.

4- Conhecer bem seus clientes permitirá que você diferencie seus produtos e serviços em relação aos congêneres da concorrência, encontrando nichos de não-clientes ou demandas represadas. ¿Quer mais?

5- Você poderá melhorar muitíssimo seu atendimento com efeitos-surpresa, quer dizer, deixando claro aos clientes que você os conhece, respeita suas manias, hábitos, idiossincrasias, preferências e estilo-de-vida. 

6- Se você teve a infelicidade de ter uma boa idéia de negócio fora da sua formação e profissão, saiba que isto será um desafio, mas não um impeditivo para que você prospecte e conheça sua clientela em potencial.

7- Primeiro, faça um exercício simples: pense no seu produto ou serviço; depois feche os olhos. ¿Você consegue visualizar seu cliente usando-os? ¿Como ele é? ¿Ele se parece com alguém que você conhece?

8- Idade, sexo, orientação sexual, filiação política, cor-de-pele, religião, tempo de estudo, média de idade, região de origem, nacionalidade, ascendência, renda, filhos, estado civil... saiba isso-tudo e mais além.

9- Vestuário, gosto musical, igreja, tribo, corte-de-cabelo, identificação com líderes e ídolos, o que estuda, o que lê, o que come, o que ouve, como e onde se diverte, que sonhos tem... e a lista segue.

10- Crie um mapa global, uma cena-do-crime a-respeito do seu público-alvo. Essas informações precisam se relacionar entre si para lhe darem uma boa visão aérea e tridimensional sobre o território a conquistar. 

11- Uma ferramenta muitíssimo simples é o mapa conceitual: coloque seu cliente no centro da folha; e depois vá puxando linhas a partir dele, escrevendo suas peculiaridades, preferências, necessidades, etc.

12- Outra ferramenta simples é o sociograma: você coloca seu cliente no centro da folha e vai ligando-o a balões que representam pessoas, lugares, instituições e organizações aos quais ele está ligado.

13- Se seu produto ou serviço tem características mínimas necessárias, a retirada ou o acréscimo de funções fá-lo-ão perder clientes, empurrando seu negócio para outras cadeias-de-valor, maiores ou menores.

14- Por isso, decomponha seu conceito de produto ou serviço em seus elementos fundamentais, como blocos de montar. Depois peça para que um possível cliente remonte-o tal como ele desejaria comprá-lo.

15- Preste atenção na forma como os clientes da concorrência usam seus produtos ou serviços. ¿Eles fazem alguma customização ou personalização? ¿Eles fazem algum uso imprevisto desses utensílios?

16- Pergunte se seus possíveis clientes sentem falta de algum serviço ou produto complementar aos já oferecidos pela concorrência. Sonde suas insatisfações, desconfianças, inconformismos, oportunidades.

17- Por fim, seja humilde o-bastante para abortar suas idéias iniciais, mesmo que elas tenham sido o fruto de anos & anos de pesquisa. O diploma você já conquistou; agora você precisa é conquistar mercado!

Até-mais-ver!

CAPÍTULO 9- MAIS UMA COISA: EMPREENDEDORA É A SENHORA SUA AVÓ!

Empreendedores não são capitalistas octogenários birrentos.



Ah, crianças... Polêmica! Polêmica! Na minha última postagem, eu lancei algumas hipóteses de provocação, questionando os lugares-comuns que são repetidos pela literatura empreendedora bacaninha. Também quis apontar para algumas tensões internas, ambigüidades e contradições que há na mentalidade do brasileiro no tocante aos negócios. Por causa dessa postagem, nossa redação foi afogada por uma inundação de telegramas; nossa caixa de e-mails travou; os telefones não pararam de tocar; oh! nosso prédio foi cercado por nerds enfurecidos, armados com suas càlculadoras HP. Calma! Titio aqui explica o que ele quis dizer.

Resumamos meu argumento. Em primeiro lugar, eu pus em dúvida a tão-zabumbada & festejada criatividade do brasileiro: o suposto senso de improviso e autonomia que o põe entre os povos mais empreendedores do universo & alhures, segundo o GEM. Contra isso, eu afirmei ser provável que nossa prètensa coragem para assumir riscos deva-se à bela rede de proteção contra o fracasso que o Estado-Babá teve o cuidado de instalar às nossas próprias custas — e que nos sabemos que estará lá para nos salvar caso dermos um passo maior que as pernas. Noutras palavras, o empreendedor brasileiro só cutuca o leão porque está protegido pela jaula. 

Em segundo lugar, eu disse que o brasileiro tem uma postura ambígua com relação aos negócios e, sobretudo, ao ato de empreender. Afirmei que essa ambigüidade vem, por um lado, duma mentalidade maquiavélica, dinheirista e predatória que, provàvelmente, foi-nos instalada lá na "noite dos tempos" da formação nacional. É ela que nos estimula a empreender. Por outro lado, em nós, as idéias de ganho e lucro vêm quase sempre acompanhadas de medo e culpa, como se a geração de valor tivesse algo de baixo e imoral. Lindo mesmo é tornar-se um "oprimido com pedigree" e sair por aí parando o trânsito e botando pra quebrar! 

Em terceiro lugar, já no final, eu levantei a hipótese de que a visão negativa que o brasileiro tem das atividades produtivas e aquisitivas deve-se à confusão feita por ele entre diferentes subespécies de empresários, o que o faz colocar no mesmo balaio os "heróis" e os "vilões" da história — as maracutaias do bilionário metacalitalista: o pagador-de-propinas incrustado nas altas esferas do poder; e a dura faina do inovador pioneiro: o empreendedor universitário que é o foco deste blog. Séculos de pregação católica contra a riqueza, décadas de doutrinação marxista contra o mercado e algumas pitadas de confusão midiática deram-nos esses frutos!

Lembrem-se, leitor, que na sexta e na sétima postagens eu estava prèparando o terreno para ajudá-lo a escolher seu modelo de negócio. Mas calma: eu preciso fazer alguns desvios ligeiros para prèveni-lo de confusões taxonômicas. Afinal de contas, até agora nós não definimos o que é um empreendedor, afinal. Não: eu posso lhe assegurar que empreendedorismo não é ócio nem sacerdócio, não é abstinência nem obediência; também não envolve voto de pobreza e caridade. Empreendedores buscam sim o dinheiro. Money! Money! Money! Money! Mas a maneira como o fazem diferencia-os radicalmente dos capitalistas de cartola & bengala. 

Primeiro: devido aos elevados níveis de incerteza e de improviso que envolvem as startups, a cultura empreendedora é fortemente marcada pela informalidade e pelo cooperativismo. A livre troca de experiências, serviços, contatos e pequenos favores é o traço mais nítido do quotidiano duma incubadora de empresas, por exemplo. Segundo: com exceção dos rivais diretos que atuam no mesmo nicho de mercado, empreendedores torcem sinceramente para que outros empreendedores dêem certo, uma vez que os parceiros bem-sucedidos geram um arquipélago de externalidades valiosíssimas, além de novas idéias, contatos e experiências. 

Terceiro: empreendedores encaram a falência com naturalidade, porque sabem que atuam em setores de risco. [Alguns criadores de startups que eu entrevistei no doutorado são exímios jogadores de pôquer; e eles costumam comparar suas estratégias empresariais com os lances desse jogo]. Quarto: os empreendedores defendem a mèritocracia com o mesmo fanàtismo aiatolá & jihadista com que defendem a informalidade. Aqui, meu filho, você pode pegar sua idade, seus títulos, suas nomeações e indicações, seu tempo-de-casa e... você sabe onde enfia! Este traço, na minha opinião, é o mais admirável e fantástico deste meio: a impessoal escala do mérito próprio.

Quinto: as coisas aqui acontecem muito depressa. Empreendedores — sobretudo os universitários — são pessoas ànsiosas e dinâmicas. Numa startup o fracasso e o sucesso ocorrem em questão de meses. Perceba, leitor, a quantos anos-luz estamos distantes das corporações engessadas e hierárquicas, das famigeradas empresas familiares, das repartições com esqueletos nos armários, bolor nas mentes e correntes arrastando! ¿Você entende agora por que eu acho isso-tudo fascinante e inspirador, embora não creia nos mitos que cercam os empreendedores e microempresários? Você entende, enfim, como é injusto comparar essa gente com banqueiros-governistas e empreiteiros-presìdiários?

Até-mais-ver!

¿QUEM É JOHN GALT?
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...