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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

DICA DE LEITURA 12


Pois é, coroinhas de missa-negra! ¿Como têm estado nesse estado-de-graça sem-graça? Deixa eu lhes fazer uma pergunta meio bíblica: ¿vocês sabem como os Davis vencem os Golias? Noutras palavras, ¿vocês sabem como as pequenas empresas iniciantes às vezes (eu disse: às vezes) aplicam belíssimos pontapés nas megalômanas corporações estabelecidas? ¿Não sabem? Pois o titio-aqui responde: elas se utilizam de estratégia, quer dizer, elas procuram travar batalhas não-convencionais, fundamentadas no disfarce e no embuste, explorando suas pequenas vantagens diferenciais e buscando vencer não pela força do leão, mas pela astúcia da raposa. Isso, repito, chama-se estratégia. Se Davi tivesse encarado Golias com escudo & espada (numa luta convencional), hoje, três civilizações monoteístas não existiriam. Davi, porém, usou uma pedra e uma funda (armas não-convencionais) para vencer Golias.

O bom estrategista é sujeitinho que, ciente da própria condição de fraqueza e desvantagem de suprimentos, evita o embate  direto, o corpo-a-corpo com seu oponente poderoso, procurando, em vez disso, cansá-lo no esconde-esconde, desgastar o moral da sua tropa, confundi-lo pelo saracoteio camuflado, infiltrá-lo com espiões, sabotadores e quintas-colunas, despistá-lo com propaganda, desinformação e vazamentos propòsitais. Enfim: a estratégia, como diria Sun Tzu, é a arte de vencer uma guerra sem precisar lutar. Pois muito que ótimo! Agora vejam: na luta entre as pequenas & atrevidas startups, dum lado, e as poderosas & arrogantes corporações, do outro lado, adivinhem quem é o Davi e quem é o Golias! Adivinhem, pois, quem dependerá mais da estratégia — astúcia, disfarce, embuste, àgilidade e esperteza — para vencer no mercado. Ganha um broche do PT quem disser: as startups!

O Capitão Nascimento — nosso grande herói reaça — tinha razão quando dizia que a palavra estratégia vinha do Grego: στρατηγία. Mas se ele tivesse lido o livro Estratégia: do planejamento à execução, teria ensinado a seus aspirantes fanfarrões algo mais que isso. Antes-de-mais-nada, deixem-me fazer duas confissões pessoais. Primeiro, a seção caixinha de ferramentas deste blog foi inspirada na sexta parte deste livro (pág. 201-257), em que MacKeown brinda-nos com uma bela série de ferramentas estratégicas apresentadas de modo gráfico e prático. Claro: nem todas ali são boas, mas vale-a-pena estudá-las com atenção. Segundo, admito que torci-o-nariz para esse livro no começo, porque, nas partes iniciais (pág. 17-66), o autor fica zanzando feito barata-tonta, dando definições acàcianas e vòmitando trivialidades sem ir direto ao tema. Mas a-partir da terceira parte, o livro deslancha e surpreende.

O livro em si é mal-escrito; a tradução tem alguns problemas; mas seu resultado compensa  por quatro motivos: 1) MacKeown têm sacadas gèniais, raciocina de maneira astuciosa, tem uma visão holista das coisas e demonstra ter uma experiência bem-refletida sobre o assunto. 2) A diagramação do livro é impecável e pedagógica, tornando-o um excelente guia de bolso, do tipo "pegue isso e faça assim". 3) O livro tem uma òrganização interna obsessiva (no bom sentido da palavra) — típica de quem sofre de TOC. Cada capítulo é curto e está separado por caixas-de-texto com resumos, tópicos de passo-a-passo, checklists de estratégia, parágrafos curtinhos com estudo de casos, listas de idéias relacionadas, seções com exemplos e armadilhas, etc. 4) Aliás, MacKeown não nos ensina apenas a como empregar cada estratégia; ele também adverte para os perigos de usá-las mal. Recomendo vivamente a leitura.


MACKEOWN, Max. "Estratégia: do planejamento à execução." São Paulo: HSM Editora, 2013. 272 páginas. R$ 34,90.


DEPOIMENTOS:

"Hoje, Davi venceria Golias e sua laia não com pedras e fundas, mas com urnas eletrônicas fraudadas e uma dúzia de ministros-compadres nos tribunais superiores."

Doutor Eleutério Deletério, abalizado causídico de reputação ilibadinha.


"A estrada da trégua é régia. Ó estratagema! Ó extraterrestre! Ó estratosfeta! A estrada vai do nada ao nada. Traste! O esterco é o estrume. Extra! Extra! Lacra treze!"

August of Fields, ex-intelectual, ocupante de sinecuras e poeta a-favor.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

DICA DE LEITURA 11


Olá, restolhos da ressaca natalina! Deixem-me dizer-lhes uma coisa. Eu tenho a sorte de raramente me arrepender comprando ou lendo livros sobre minha área. Claro: às vezes eu me deparo com encantadores-de-serpentes motivacionais (exemplo: Justin Herald) e acabo sacrificando meu dinheiro e paciência no altar das baboseiras da autoajuda. Acontece. No doutorado, tive de ler muita coisa soporífera & sonolenta, escrita por pesquisadores competentes, mas sem qualquer experiência profissional senão a duma sinecura federal e sem o mínimo talento literário ou didático — indispensáveis àqueles que desejam ser compreendidos. Mas, no que se refere às leituras de amplo acesso, eu tenho dado sorte. 

Finalmente, depois de falar tanto sobre o método da startup enxuta (releiam os capítulos 18 a 21 deste blog), eu resolvi mostrar-lhes a fonte das idéias. Falo do livro A startup enxuta, de Eric Ries. Bom... Eu confesso que costumo rabiscar bastante os livros que leio, grifando as passagens mais importantes, adicionando comentários e xingamentos, fazendo paráfrases ou perífrases às frases dos autores, etc. Na folha-de-rosto, eu também costumo pôr uma observação ou apreciação geral, para mim-mesmo no futuro, caso eu queira reler o livro. E olhando para o exemplar d' A startup enxuta que tenho aqui em mãos, eu observo que escrevi nele o seguinte: "É isso! Livro foda e absolutamente necessário!"

Sim, ¿mas o que teria esse livro de tão "foda e absolutamente necessário"? Em primeiro lugar, embora seja um jovem empresário de tecnologia e não um escritor, Eric Ries tem um texto fácil, fluido e claro. Pessoalmente, eu proporia alguns reparos à estrutura e à diagramação do livro, mas a seqüência dos capítulos é, ainda assim, didática e consegue passar o recado. Em segundo lugar, o autor não cai na tentação diabólica de quase todos os gurus do empreendedorismo e das microempresas: ele não promete mundos & fundos. Eric Ries propõe-nos um método factível, mas não esconde seus fracassos pessoais, suas tentativas malfadadas e as incertezas envolvidas. Trata-se dum livro honesto. 

Em terceiro lugar, Eric Ries — e eu adoro quando um escritor faz isso! — apresenta-nos um passo-a-passo prático. O livro é inteiro prático e dá inúmeros exemplos concretos de empresas verdadeiras. O estilo do texto é sóbio (embora os tradutores brasileiros tenham dado alguns tropeços de bêbado). Mas o melhor do livro é o seguinte: bons escritores dão conselhos, dicas soltas e ensinam manhas que dependem do contexto e da cultura local para funcionar. Eric Ries, por sua vez, inspirado no sistema Toyota, teve o toque de gênio de articular essas dicas soltas num sistema, num método, numa ferramenta estratégica com elementos engrenados e adaptados ao ambiente incerto das startups. O resultado foi um clássico.

Meu objetivo nesta resenha não é sintetizar todos os pontos da obra. (Para tanto, aconselho-os novamente lerem os capítulos 18 a 21 deste blog). Mas preciso destacar os seguintes capítulos: do 1 ao 4 encontra-se o cerne do modelo da startup enxuta; o capítulo 6 fala do teste de mínimos produtos ou serviços viáveis; o capítulo 7 trata da importância das métricas de crescimento; o ótimo capítulo 8 fala da manutenção de funcionalidades ou características e da pivòtagem; e o capítulo 10 fala dos motores de crescimento do negócio. Pois é, crianças, vocês estão diante dum baita best-seller. ¿E sabem o que é melhor? Este é o livro que eu darei ao vencedor da próxima promoção do blog! Aguardai-vos & confiai-vos!


RIES, Eric. "A startup enxuta: como os empreendedores atuais utilizam a inovação para criar empresas extremamente bem-sucedidas". São Paulo: Lua de Papel, 2011. 274 páginas. R$ 39,00.


DEPOIMENTOS:

"É fácil criar uma startup enxuta no Brasil. Basta abri-la, e o Estado encarregar-se-á de secar sua conta ràpidinho."
Jô de Sá, tributarista, engolidor-de-espadas e possuidor dum nome enxuto.


"Todos os modelos de gestão estão errados — miseràvelmente errados. Mas alguns, sabe-se lá por quê, funcionam!"
Doutora Paty Farias, blogueira opressora, ufóloga e consultora de marketing.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

DICA DE LEITURA 10


Pois é, ó fetos do meu útero árido... Já estamos na décima edição dessas dicas de leitura! A maioria dos livros que eu comento, resumo e indico aqui foram leituras que realmente me agradaram pelo formato e pelo conteúdo. Eu não faço jabá neste blog! Nem jabá, nem carne-seca, nem charque gaúcho. Aliás, alguns desses livros eu considero referências vitais para os empreendedores universitários — daquelas obras que vocês correrão sérios riscos não lendo. Esses livros, inclusive,  eu reservo para as promoções. (Aguardem as próximas!) Mas com relação à dica de leitura desta semana, eu preciso fazer uma pequena confissão: foi esse o livro que me inspirou a criar este blog. O conceito de "empreender como mochileiro" está implícito nele. 

Refiro-me a "Nunca procure emprego: dispense o chefe e crie seu próprio negócio sem ir à falência", de Scott Gerber. O título é bombástico, prètensioso, pròvocador e um tanto fajuto; mas acreditem: ele realmente entrega o que promete. Embora o livro dê dicas que são culturalmente e tècnicamente aclimatadas à realidade amèricana (a terra do autor), sua adaptação à realidade brasileira é possível. O cerne do livro resume-se à seguinte mensagem: não é preciso juntar uma dinheirama para empreender, desde que você não dê passos largos e saiba como e onde conseguir os recursos baratos, gratuitos, trocados, reciclados ou emprestados para iniciar seu próprio negócio — assim como fazem os que viajam de-carona: os aventureiros e os mochileiros. 

De certa forma, este livro é um derivado-discípulo do clássico "A startup enxuta", de Eric Ries que comentarei noutra oportunidade. O conceito é o mesmo; o que Gerber fez foi dar um tom mais tosco às idéias. O livro tem três aspectos positivos: 1) sua linguagem bem-humorada (até mesmo grosseira, em algumas páginas), com a qual o autor tece críticas mordazes ao emprego formal; 2) a sinceridade de chacoalhão que, embora padecendo daquele òtimismo arrogante da juventude (o autor do livro é mais novo que o autor deste blog), não doura a pílula das dificuldades de se empreender; e 3) a inacreditável abundância de dicas, sites, truques, manhas, ferramentas, aplicativos, programas e soluções baratas ou gratuitas espalhadas por todo o livro.

A primeira parte da obra — "a análise" — é porrada atrás de porrada. Gerber desconstrói sàdicamente as ilusões egóticas que embalam a maioria dos empresários de primeira-viagem. Sua autoestima arrogante baixa a zero aqui. A segunda parte do livro — "a construção dos alicerces" — ensina-nos a como estruturar uma pequena empresa em bases seguras & enxutas. Um dos alvos do autor, além da idéia de emprego formal, é o famoso plano-de-negócio — uma verdadeira vaca-sagrada para dez entre dez cursos de empreendedorismo dados no Brasil. No lugar dele, Gerber propõe um plano prévio, bastante sintético: um parágrafo só! Algo aqui soa bastante familiar, não? Estamos novamente no quintal teórico da startup enxuta.

A terceira e última parte do livro — "desde o princípio" — entra num ritmo frenético de truques & manhas práticas para se empreender com pouquíssimo ou nenhum dinheiro. A melhor coisa do texto, repito, é que ele é brutalmente e densamente prático. Estamos a anos-luz de distância das mensagens edulcoradas de autoajuda esotérica. Embora Gerber tenha algo de brasileiro no senso de improviso subjacente às dicas que dá, não podemos nos esquecer da impressionante infraestrutura voltada para startups que existe nos Estados Unidos. E aí, leitor, quem está a anos-luz de distância dessa realidade somos nós — vampirizados pela fome pantagruélica dum Estado pesado, ineficaz e corrupto, ocupado por um partido-quadrilha de cínicos vorazes. Boa leitura!

GERBER, Scott. "Nunca procure emprego! dispense o chefe e crie seu próprio negócio sem ir à falência." São Paulo: Évora, 2012. 227 páginas. R$ 39,90.


DEPOIMENTOS:

"Nunca procure emprego! Ah, não há conselho mais fácil de se obedecer atualmente — a-contragosto, é claro! e graças às cagadas daqueles que nós empregamos pelo voto."

Pai Zèzinho de Obatalá, babalorixá e analista financeiro.


"Eu procurei emprego uma vez, sabe? Emprego público... E graças ao emprego público, jamais precisei trabalhar novamente. Prèvaricação e criação de bolor moral não conta."

Bernardo Barnabé, carimbador, prèvaricador e sub do sub.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

DICA DE LEITURA 9


Olá, ilhas de angústia em mar de solidão! ¿Como vão indo? Pois eu voltei com mais uma dica de leitura. Antes, uma pequena introdução. Desde a década retrasada, ao menos neste "país" (aspas são opção), inovar tornou-se um mantra tântrico, uma obsessão fetichista, um atavismo hereditário. É que a abertura do mercado brasileiro às exportações (1990) expôs os produtores nacionais à concorrência das tecnologias estrangeiras e, tal como se cria, essa exposição forçaria os empresários brasileiros a buscarem parcerias com os cientistas, visando o desenvolvimento de inovações tecnológicas que lhes permitissem competir com os produtos importados. Era o que se cria na época. O brasileiro é mesmo um homem de fé!

Desde então, nos evangelhos acadêmicos e nos relatórios das políticas-públicas, a palavra inovação tornou-se um conceito-ônibus, dentro do qual é sinal de educação colocar todas as esperanças para os mais inusitados problemas: a desigualdade, a dependência, a super-inflação, a calvície, a pulga da sogra, a angústia existèncial, etc. Florestas inteiras foram oferecidas-em-sacrifício no altar do papelório científico pùblicado para endossar as teses da inovação como panacéia universal. Mas... ¿e se eu lhes dissesse que a ânsia pela inovação a todo-custo pode fazer com que grandes empresas quebrem e sejam ultrapassadas por empreendedores inicialmente insignificantes? Parece um paradoxo, né?

Pois é mais-ou-menos esta a tese defendida pelo livro mundialmente famosíssimo "O dilema da inovação", de Clayton Christensen. Tentarei explicar sua tese. Suponhamos então que você precise comprar uma impressora doméstica para imprimir aqueles trabalhos de faculdade que você plagia do meu blog. Você vai à loja e encontra três opções: 1) uma impressora vagabunda a jato-de-tinta por R$ 155,00; 2) uma impressora multifuncional a jato-de-tinta por R$ 240,00 e 3) uma impressora multifuncional a laser, cheia de badulaques & paranauês, por R$ 1.070,00. Pergunto-lhe: ¿qual delas é a melhor? Você responderá: a terceira impressora, òbviamente. ¿Mas é essa a impressora que você levaria para casa?

Hum... Pergunta marota, né? Embora você admita que a terceira impressora seja a top do mercado, você sabe que, para o uso que você fará dela, todos aqueles recursos oferecidos serão um tremendo dum desperdício. Talvez você também ache que a primeira impressora seja tosca demais para seus malignos propósitos estudantis. Agora imagine milhares de pessoas tomando decisões iguais às suas. Conclusão: pelo visto, o fàbricante da terceira impressora gastou milhões de dólares para desenvolver um trambolho faraônico que ninguém, além de milionários excêntricos, irá comprar. Moral da estória: ele inovou demais; pressionado pela concorrência, ele ultrapassou a margem de inovação que os clientes podiam absorver.

Há, portanto, uma área ou margem no mercado, representada pela faixa verde-escuro da figura abaixo, onde se encontra o grosso dos clientes: é o segmento mais lucrativo e nùmeroso. Essa margem está limitada por duas linhas: 1 e 2. Estas, por sua vez, representam, respectivamente, o grau máximo de inovação admitida pelos clientes ("acima desse nível, sua tecnologia é excessiva para mim") e o grau mínimo de inovação admitida pelos clientes ("abaixo desse nível, sua tecnologia é insuficiente para mim"). O Santo Graal de toda estratégia de inovação é entrar nesse nicho verde-escuro e não sair mais dele, só acompanhando seus movimentos. O problema, como diria Garrincha, é combinar isso com os "russos".

A tese da inovação disruptiva explica então alguns fenômenos interessantes & verdadeiros: 1) Os empresários encontram-se espremidos por solicitações contraditórias: dum lado, a concorrência os pressiona a inovar cada vez mais; do outro lado, porém, os clientes passam a dar sinais de que não companharão o avanço da tecnologia para além dum certo limite. 2) A tara por inovar pode arrastar as grandes empresas (a linha A) para uma espécie de acostamento VIP do mercado, onde se encontram consumidores de elevado poder aquisitivo, mas cujo volume de compras não geraria um fluxo-de-caixa robusto e sustável. É aí que as grandes empresas sofrem o ataque das inovações disruptivas vindas de baixo (linha B). 

Uma inovação disruptiva caracteriza-se por oferecer, inicialmente, soluções mais simples & baratas que suas congêneres. Sendo mais compatíveis e acessíveis aos consumidores situados na base da cadeia-de-valor, elas têm a vantagem adicional de envolverem menos custos e menor volume de investimento para sua produção. A desvantagem, entretanto, é seu pior desempenho e qualidade (para o consumidor) e seu menor retorno financeiro (para o empresário). Devido a essas características, as inovações disruptivas são adequadas para as startups, mas são vistas como pouco atraentes para as grandes empresas, que preferem se exibir no mercado oferecendo produtos de alta performance (e maiores margens de lucro).

É aí que mora o perigo, pois, mineiramente & lentamente, as inovações disruptivas vão amadurecendo por meio dum aprendizado contínuo com sua clientela; vão ganhando músculos e adquirindo condições de roubar fatias do mercado das companhias consolidadas. É o que está acontecendo hoje com as tecnologias de pagamento eletrônico e com muitos aplicativos para telefonia móvel. Inovações disruptivas não são apenas radicais; elas também são escalares e têm condições de fazer aquilo que Schumpeter chamava de destruição criativa. Aliás, esse livro de Christensen é uma das mais radicais e criativas contribuições à teoria das inovações tecnológicas. Eu recomendo vivamente sua leitura!

Diagrama da inovação disruptiva conforme as pesquisas de Christensen.


CHRISTENSEN, Clayton. "O dilema da inovação". São Paulo: Makron Books, 2012. 320 páginas. R$ 89,00.

DEPOIMENTOS:

"O novelo da ovelha é novato. O ovo é nevoado de navalhas e ovários. Que inovação há nos ovos do novilho! Neva no nariz da noiva. Uma ova! Lacra treze! Lacra treze!" 

August Fields, revolucionário de churrascaria e poeta da corte.


"Eu só conheço três bons negócios que podemos fazer com inovações: roubar, imitar e chupar. O terceiro deles tem até desdobramentos pornográficos que vêm de brinde."

Juanito Cabrón Cabrito, milongueiro, intelectual e estereótipo. 

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

DICA DE LEITURA 8


Gosto quando um livro joga-limpo com seus leitores. E o respeito que eu, pessoalmente, espero receber dum livro — sobretudo os que tratam de negócios e de gestão, cujos leitores têm pouco tempo a perder — deve aparecer sob a forma de clareza, didática e pràticidade das informações. Para atingir esses objetivos, há alguns macetes simples que eu, caso fosse consultor editorial, daria aos autores desses livros.

Primeiro, diminua o tamanho dos capítulos e subdivida-os em subseções com não-menos de duas páginas. Segundo, crie listas e separe os itens em tópicos com números ou letras. Terceiro, comece cada capítulo com uma história, anedota ou exemplo: isso relaxa o cérebro dos leitores e desperta o interesse. Quarto, capriche muito na diagramação de todo o texto: use caixas, destaques, notas, epígrafes, lides.

Seja histriônico e engraçado. Use linguagem barroca, alegórica e colorida. Seu livro deve poder ser dividido em unidades menores e lido em qualquer seqüência, como se fosse um almanaque ou dicionário. Crie intertextualidade transdisciplinar. Não: estas não são palavras pedantes usadas por “educadores” incapazes de se educarem a si-mesmos. Elas se referem ao esforço de criar links com outros assuntos e disciplinas.

E — pelo amor do seu útero árido — não diga òbviedades acàcianas, frases-feitas, frìvolidades grandiloqüentes ou palavras-de-festim. Pois bem. Creio que a maioria dessas qualidades estão nos livros da coleção Segredos Profissionais, escritos por vários autores (ver lista). Trata-se duma série de livros com capítulos curtíssimos e bem-diagramados, contendo dicas práticas e úteis sobre vários temas de gestão & negócios.

Todos os livros são bons, mas eu destaco quatro em especial que poderão ser fundamentais aos empreendedores: Segredos de negociação, de David Brown; Segredos de marketing, de Peter Spalton; Segredos de liderança, de Michael Health; e Segredos de vendas, de Nich Constable. Não espere nada muito avançado e profundo. São dicas do tipo pegue-e-faça que qualquer pequeno empresário será capaz de entender.

Os capítulos de todos os livros têm apenas duas páginas e levam como título a própria dica que darão. Em seguida, uma epígrafe é apresentada como ilustração e a dica é detalhada e explicada com exemplos. As dicas dão ilustradas com casos reais. Há uma progressão na complexidade das dicas, perfazendo uma estrutura muito leve e didática. A objetividade do conteúdo é algo a se destacar. Recomendo vivamente a leitura!

BOYES, Carolyn. "Segredos de comunicação pessoal." Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.

BROWN, David. "Segredos de negociação." Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.

CONSTABLE, Nick. "Segredos de vendas." Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.

HEALTH, Michael. "Segredos de gestão." Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.

HEALTH, Michael. "Segredos de liderança."  Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.

MANSER, Martin. "Segredos de apresentações." Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.

MANSER, Martin. "Segredos de administração de tempo". Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.

MATTHEW, Batchelor. "Segredos de gerenciamento de projetos." Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.

SPALTON, Peter. "Segredos de marketing." Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.

WARNER, Stuart. "Segredos de finanças." Curitiba: Fundamento, 2013. 128 páginas. R$ 34,00.


DEPOIMENTOS:

“Eu não entendi uma coisa: se são segredos profissionais, não deveriam ser publicados; se foram publicados, é porque não eram segredos... ou porque os que os publicaram não eram profissionais.

Doutor Pelúcio Severo, consultor, umbandista e ufólogo.

“Folheei esses livros desesperado, procurando segredos profissionais de-verdade. ¿Cadê a hipnose de clientes, a ameaça a fornecedores, a tortura de concorrentes e a queima-de-arquivo de ex-funcionários?”

Zèzinho Cadela, traficante e personagem de filme nacional.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

DICA DE LEITURA 7


Boa tarde, ó criadores de barrigas & culotes! ¿Como vão? Pois eu não vou! Voltei para lhes indicar ou detonar mais um livro porreta que realmente li, rabisquei de cabo-a-rabo e cuja leitura posso lhes recomendar sabidamente. Poisa saibam que há alguns filtros pelos quais eu faço passar esses livros. O primeiro deles é se o autor trata de "metafísica de motivação" ou se ele realmente transmite conselhos úteis, do tipo pegue-e-faça. Isso se nota pela presença no texto de histórias e anedotas que exemplifiquem experiências que o autor realmente viveu. O segundo é a clareza com a qual o autor passa suas idéias, esquematizando-as, desenhando-as. A diagramação do livro, com parágrafos de destaque, caixas-de-texto, questões de fixação, estudos de casos etc. são bons sinais do esforço que o autor fez para ser entendido.

A maioria dessas coisas, com destaque para a primeira, encontra-se no livro Líder empreendedor, de Dave Ramsey. (Não, ele não é parente daquele cozinheiro desbocado da televisão. Aquele é Ramsay, e não Ramsey). Confesso que, pelo título e pela capa, torci o nariz para esse livro. Ele me pareceu mais uma daquelas cartilhas feitas para quem sofre da síndrome do vamos-que-vamos. É certo que, nalgumas passagens, a obra escorrega por essa linha da macumbinha neurolingüística; mas seria injustiça classificar o livro como autoajuda. Ramsey não doura a pílula. Ramsey não lhe diz que será fácil. Ramsey não repete frases idiotas. Sua principal vantagem, aliás, é contar de maneira desabrida e, freqüentemente, emocionante sua própria história e dar conselhos válidos e práticos com base naquilo que ele-mesmo viu e fez.

Nisso, a estrutura da obra se assemelha um pouco com solução adotada por Fernando Dolabela em O segredo de Luísa — livro que também resenhei aqui. Contudo, há diferenças marcantes. Os personagens de Ramsey são reais e tudo é contado em primeira pessoa. Sua narrativa é hipnótica e, mesmo quando ele trata de temas áridos, sempre entremeia sua explicação com causos pelos quais passou. Isso torna a leitura muitíssimo agradável. Porém, ele peca na ordem das idéias. Embora haja ali um esforço para seguir uma seqüência cronológica — tanto da história da sua empresa quanto na exposição dos conselhos — o livro é organizado em temas quase independentes e intercambiáveis. Dolabela, por sua vez, embora tenha um texto bem superficial e bobinho, é mais disciplinado na organização pedagógica e professoral.

Ramsey não é do mercado de inovação. Seu negócio é consultoria em finanças pessoais para pessoas quebradas. (A-propósito: ele começa o livro contando, num tom sombrio, sobre sua própria falência & pindaíba). Mas embora ele não seja do segmento de startups, seu livro trata de todos os aspectos importantes duma pequena empresa — desde conceber o modelo-de-negócio até cobrar clientes, passando por treinar a equipe, criar a marca, etc. Em algumas passagens, o autor chega ao cúmulo do detalhamento monomaníaco. Saibam também que Ramsey vive falando de religião e é fã do Bush. Se você for um daqueles comunas de humanas, prepare seus sapatinhos de dançarina, afaste os móveis e dê um belíssimo faniquito. O coxinha-opressor aqui aplaudirá. Por essas e outras, eu recomento esse livro.

RAMSEY, Dave. "Líder empreendedor: seja o líder que estrutura e desenvolve empresas." Ribeirão Preto: Novo Conceito, 2014. 368 páginas. R$ 39,90.


DEPOIMENTOS:

"Um livro que ensina a como estruturar empresas. Ah, vá! Eu não preciso disso; só preciso de laranjas, do BNDES e de amigos do papai."

Luís Inácio Solto da Silva Júnior, empresário, consultor e pessoa idônea. 

"Não gostei do título: líder empreendedor é uma redundância. Seria mais-ou-menos como dizer homeopata charlatão e petista corrupto."

Mestre Luizinho Pontadas, especialista em acupuntura e hipócrita.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

DICA DE LEITURA 6


Olá, poeiras de estrelas mortas! Pois é... Vocês devem ter reparado que este blog deu uma esfriada nos últimos dias. É que é final de semestre, minha gente; e o tinhoso vem chupando-manga para o lado do titio Fernando. Enquanto escrevo, tenho à minha frente três pacotes de provas para serem corrigidos. Pois é... ¿Quem mandou o titio Fernando não estudar? Ele acabou virando professor.

Pois bem. Na dica de leitura desta semana, finalmente, apresentarei um livro com um enredo bem nacional. Calma: ele não é uma apologia ao favelismo e ao banditismo. Ainda estamos falando de empreendedores, de microempresas e coisas assim. Refiro-me ao fato de que este é um livro com todos os ingredientes que esperaríamos encontrar num caso de empreendedorismo ao sul do Equador.

Eu ri bastante e me compadeci lendo Quebrei: guia politicamente incorreto do empreendedorismo, de Leonardo de Matos. Nele, o autor narra com uma sinceridade acachapante e uma coragem admirável as... (perdi a conta) várias vezes que faliu tentando empreender — primeiro, no ramo de hotelaria, depois, no ramo atacadista de confecção. Trata-se duma narrativa visceral de experiência.

Logo de cara, percebe-se que o autor não é nenhum escritor; não é um "acadêmico sofisticado". Sua prosa é direta, simples e franca. Lendo o livro, tem-se a sensação reiterada de se estar lendo uma conversa ou a confissão dum cara que não esconde nada, e que não perde seu tempo teorizando baboseiras edulcoradas sobre os empreendedores. Esta é a maior virtude do livro: sua franqueza. 

Há mais adjetivos a acrescentar. Primeiro: trata-se dum caso real, pessoalmente vivenciado. Não estamos diante duma teoria abstrata escrita por um empresário-de-gabinete. Segundo: já falei aqui, várias vezes, sobre o inestimável valor pedagógico dos casos de fracasso. Pois bem: este é um caso de vários fracassos repetidos e aprendidos. E o autor tem muito a nos ensinar sobre como quebrar a cara.

Terceiro: Leonardo de Matos mapeia todos os obstáculos e armadilhas culturais, econômicas e burocráticas que este país coloca no caminho dos pequenos empresários — ao menos dos honestos. Aliás, ao final da leitura, o autor chega a desaconselhar que empreendamos, ao comparar esta decisão e com alternativas profissionais mais seguras, como o serviço público e o emprego formal. 

Leonardo de Matos talvez não perceba, mas seu livro tem camadas mais profundas de significado, porque sua história revela traços interessantes da mentalidade pré-capitalista do brasileiro: a ambição imprudente e burra, a honestidade culpada e a confiança infantil no acaso. Leonardo também mantém o blog Armadilhas do empreendedorismo, cuja leitura eu também recomendo vivamente. 

MATOS, Leonardo de. "Quebrei: guia politicamente incorreto do empreendedorismo". Rio de Janeiro: Alta Books, 2014. 144 páginas. R$ 44,00.


DEPOIMENTOS:

"Livro brasileiro sobre empreendedorismo sem falência no final é como filme brasileiro sem tráfico e miséria: não dá."

Doutor Nicanor Tucano, advogado tributarista, auditor fiscal e petista.


"Comprei este livro porque toda a renda será revertida aos bancos para os quais o autor ainda deve sua pobre alma."

Mauricinho Compulsório, almofadinha, cineasta e banqueiro lírico.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

DICA DE LEITURA 5


Olá, crias! ¿Sentiram saudades da minha pessoa? ¿É? Pois eu não! O livro que eu vou resenhar nesta semana é, talvez, o mais vendido e usado pelos professores de empreendedorismo por aí. Trata-se do livro O segredo de Luísa, de Fernando Dolabela. Nele, o autor narra a história fictícia de Luísa, uma estudante de odontologia mineira que resolve criar sua própria empresa: uma indústria de goiabadas. 

O autor foi muito ousado e criativo ao apresentar o passo-a-passo de criação duma nova empresa por meio dum romance, no qual os problemas gerenciais e as opções técnicas do negócio são entremeados didàticamente com as angústias, dúvidas e dificuldades da  personagem. Com isto, o que tinha tudo para ser um tema chato, tornou-se um assunto palatável para um público leigo em geral.

Porém, em suas ambições literárias, Fernando Dolabela não foi tão feliz. A estrutura do livro ficou um pouco confusa. É preciso ficar voltando páginas e relendo trechos, pois o romance tem que ser interrompido várias vezes para a leitura de caixas-de-texto cinzas. Aliás, ¿querem saber duma coisa? Eu recomendo apenas a leitura das caixas-de-texto cinzas, que explicam o que realmente interessa.

Digo isto porque a trama da história de Luísa é bobinha, superficial, banal e tola. Trata-se dum enredo de novela das seis piorado vinte vezes. Os personagens são títeres vazios, estereotipados e totalmente desprovidos de personalidade. São caixas onde o autor enxertou suas palavras. Por isto é que os diálogos são tão ruins: é impossível diferenciar o estilo do narrador do estilo dos personagens.

Fernando Dolabela é o introdutor e o desbravador da pedagogia empreendedora no país. Mas, definitivamente, ele não é escritor e muito-menos romancista. Suas análises (caixas-de-texto cinzas) são perspicazes, completas, competentes e utilíssimas. Devem ser lidas com toda a atenção. Mas eu acho que o autor cagou no livro com essa històrinha chinfrim da tal Luísa. No mais, o livro é bom!

Luísa é uma versão tupiniquim e pioradíssima da personagem Dagny Taggart, do romance A revolta de Atlas, da Ayn Rand. O livro termina com um exemplo completo de plano-de-negócio. Leiam-no com atenção! Todo o quarto capítulo, aliás, é excelente e merece ser lido todo. Por fim, eu não poderia deixar de estragar o final do livro: o tal "segredo de Luísa" está entre as páginas 206 e 208.  É piegas.

DOLABELA, Fernando. "O segredo de Luísa". Rio de Janeiro: Sextante, 2014. 304 páginas. R$ 39,90.

DEPOIMENTOS:

"O maior segredo de Luísa é passar quatro capítulos preenchendo burocracia e terminar o livro sem matar nenhum personagem."

Zèzinho Cadela, tràficante, miliciano e deputado.


"Uma história brasileira sobre empreendedorismo em que a heroína não quebra no final... Hum... Só podia mesmo ser ficção!"

Gianni Cazzo, màfioso e/ou crítico literário.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

DICA DE LEITURA 4

Olá, filhos do carbono e do amoníaco, monstros de escuridão e rutilância! (Augusto dos Anjos) ¿Vocês sabiam que eu tenho uma cachorra chamada Pachorra? Bom... é mentira que eu tenho uma cachorra; mas é verdade que eu tenho uma baita pachorra. Pois saibam vocês que eu tive a pachorra de ler os quatro volumes da série Atitude, do Justin Herald. Sinceramente, eu teria gasto melhor meu tempo lendo a biografia de outro Justin: o Bieber! Aviso: sarcasmo.


Uma das minhas missões nesse mundo virtual de meu-deus, caro leitor, é livrá-lo de ciladas. Eu sou o seu Pedro, Bino! E eu já disse aqui que essa crise — que certamente atravessará esta década e a próxima— fará com que muita gente caia no engodo do enriquecimento via empreendedorismo. Mas o titio aqui é um estraga-prazeres mesmo, pois vive dizendo que as coisas não são tão fáceis & rápidas quanto parecem, ou quanto alguns gurus fazem parecer.

Numa das minhas postagens-relâmpago, falei das quatro coisas que me irritam em livrinhos supostamente dedicados à autoajuda para empreendedores. Resumi esses aspectos assim: complexo de pseudo-midas (promessa de pròsperidade instantânea), síndrome do vamos-que-vamos (motivação fundada em palavrório oco), transtorno da dança nas nuvens (abstrações afastadas da realidade) e mal de Acácio (trivialidades presunçosas, óbvias e balofas).

Pois saibam que Justin Herald consegue o prodígio de reunir os quatro vícios numa série de quatro livros chamada Atitude. Diga-se, aliás, que todos os livros falam sobre a mesma coisa: quão incrível é o autor e seu negócio — uma empresa de camisetas com frases de motivação que fariam Gabriel Chalita parecer Friedrich Nietzsche. O simples desperdício de tanto papel com tão pouco conteúdo já denota — ¿como posso ser sutil? — certa falta do que fazer.

Pois eu recomendo vivamente a leitura dos volumes de Atitude de Justin Herald — como um contra-exemplo de tudo o que não deve ser um guia para empreendedores. Em sua trivialidade, ingènuidade e superficialidade repetitiva e irritante de redação de colégio, Atitude é um tapa na boca da nossa inteligência. Tratam-se daqueles livros que o surpreendem pelo anticlímax; que você termina de ler com um gostinho de quero-mais: quero mais que se f...!


HERALD, Justin. "Atitude. Volumes 1 a 4". São Paulo: Fundamento, 2011.


DEPOIMENTOS:

"Graças aos interessantes & relevantes livros de Justin Herald, eu tomei uma bela atitude na vida: furei meus olhos — todos os três! — para jamais ter de ler coisas assim."
Professor Felizardo Síncope.

"Eu descobri que o analfabetismo tem lá suas vantagens: você não é obrigado a votar nem a ler livrinhos de autoajuda. Pena que só descobri isso depois do doutorado."
Doutor Galindo Pinto.


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

DICA DE LEITURA 3


Olá, criaturas de meu-deus! Nesta semana, quero lhes indicar o livro Empreendedorismo: transformando idéias em negócios, do professor e palestrante José Dornelas — que é dono duma careca luzente e do site mais luzido a-respeito do assunto. Neste livro, o autor aborda quase todos os aspectos práticos da abertura duma pequena empresa. Ele dedica atenção especial à elaboração do plano de negócio, ao qual são reservados dois capítulos inteiros (o quinto e o sexto) e uma série de exemplos e modelos que podem ser seguidos por empresas de vários perfis. Embora não se trate dum livro extenso (são duzentas-e-setenta páginas), o autor conseguiu sintetizar de maneira admirável a mùltiplicidade de informações necessárias ao empreendedor ingressante. O livro prima pelo encaixe lógico das partes e das seções. Acompanha questionários e exercícios no final de cada capítulo. É ilustrado com esquemas e diagramas. Tem uma redação límpida e objetiva. E grande vantagem: oferece interface com os conteúdos disponíveis no site do autor (Ver link nas Páginas Externas deste blog).

O primeiro e o segundo capítulos são uma introdução e abordam o conceito, o histórico e os aspectos gerais do fenômeno empreendedor durante os séculos. O ponto alto é o final do segundo capítulo, onde o autor oferece um questionário de autoavaliação para você verificar sua adesão à personalidade empreendedora. Embora quantitativo, o questionário é interessante. O terceiro e o quarto capítulos são dedicados à análise estratégica de oportunidade. São os capítulos mais criativos, embora pequem pela simplicidade das ferramentas de estratégia que oferecem. O quinto e o sexto capítulos, como dito acima, dedicam-se ao plano de negócio. Do sétimo ao décimo capítulos, o autor aborda assuntos correlatos, como financiamento e investimento (sétimo), incubação de empresas, assessoria e consultoria empresariais (oitavo), questões jurídicas, tributárias e estrutura societária (nono) e algumas recomendações finais (décimo). O livro é um dos mais usados & citados em cursos da área. Pudera. Embora o preço do livro seja um tantinho salgado, a quantidade de informações contida nele compensa.

DORNELAS, José. "Empreendedorismo: transformando idéias em negócios". São Paulo: Editora LTC, 2014. 267 páginas. R$ 92,00.

DEPOIMENTOS:

"Após ler o livro, sinto-me capaz de transformar qualquer plano num negócio e qualquer negócio num plano — ainda que o negócio seja uma pessoa e o plano seja curvo."
Professor Redondo Quadros. 

"Eu não quero ser grosseira nem antipática, mas se após ler este livro você não for capaz de elaborar um plano de negócio, você merece comer alfafa — pela raiz!"
Doutora Débora Dobrada.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

DICA DE LEITURA 2



Olá, pessoas & sujeitos! Nesta semana eu vou lhes indicar um livro daqueles que você agradece quem o indicou e, no final da leitura, sente pena alheia ou remorso projetivo de quem não o leu: O mito do empreendedor, de Michael Gerber. O principal aspecto a se destacar desse livro é que seu autor mata uma grande charada: ¿por que muitos negócios quebram, ora pois? Detendo-se nos empreendedores, Michael Gerber prova que a grande fonte do fracasso está no... sucesso! Explico: quando uma pequena empresa é fundada, o empreendedor desempenha todas as atividades -- as estratégicas, as táticas, as operacionais. As atividades estratégias dizem respeito à elaboração do modelo-de-negócio, ao marketing, à percepção da dinâmica do mercado, à inovação, enfim, aos planos que a empresa traça para crescer. As tarefas táticas são mais-ou-menos gerenciais: referem-se à transformação dos planos contidos na estratégia em objetivos mais concretos; e elas definem também os recursos necessários para sua execução. Por fim, as atividades operacionais fazem parte do dia-a-dia da empresa: são geralmente tarefas repetitivas e rotineiras que, para o autor, deveriam ser padronizadas e depois delegadas a terceiros (¿estàgiários?).

Eis onde mora o perigo: os pequenos empresários sentem dificuldades de delegar essas tarefas; e quando a empresa cresce, eles não dão conta do trabalho que aumenta, das incógnitas, variáveis e problemas que também crescem quantitativamente e qualitativamente. E quando, às pressas, aquelas atividades são finalmente delegadas, os empreendedores não estabelecem rotinas e padrões básicos por meio dos quais eles poderiam treinar, avaliar e acompanhar seus funcionários. Resultado: o caos! Michael Gerber oferece então uma solução: planejar, detalhar e rotinizar seu negócio de maneira que ele adquira um modelo-padrão que possa ser rèplicado em escala mil vezes, sem perder suas características originais. O nome disso é franquia. "Bem-vindo ao McDonald's, senhor!" O mito do empreendedor, apesar das grandes doses de pieguice, idealismo & autoajuda, é um livro pontual e prático. A estrutura é bastante engenhosa: Michael Gerber mescla suas análises & soluções acompanhando, capítulo a capítulo, as dificuldades reais duma personagem fictícia -- uma dona de loja de bolos -- com problemas iguais àqueles que são tratados. Eu recomendo vivamente a leitura! Confira a seguir as avaliações dos nossos consultores.

GERBER, Michael. "O mito do empreendedor". Curitiba: Fundamento, 2012. 216 páginas. R$ 44,80.

DEPOIMENTOS:

"Confesso: eu chorei no final desse livro. Ainda estou toda molhada. Me dá mais um lencinho aí... ou eu atiro em você!"
Doutora Débora Dobrada.

"'Sabe... eu daria um braço para escrever este livro. Um não: dois! O problema depois seria escrevê-lo sem os braços."
Doutor Pelúcio Saraiva.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

DICA DE LEITURA 1


Olá, crianças! Estou inaugurando uma nova seção deste blog. Pretendo-lhes indicar um livro por semana ou quinzena, fazendo breves comentários abonadores ou não. O primeiro é este: Manual do empreendedorismo: 74 dicas para ser um empreendedor de sucesso, do Bruno Tucano, ops, Caetano. O livro é um pequeno manual de pegue-e-faça para empreendedores. Não é uma obra analítica ou teórica; é prática e para consultas simples. Tem dicas pontuais e muitíssimo importantes sobre como abrir e gerir um negócio próprio. O autor demonstra realmente entender dos meandros burocráticos, tributários e etc. & tal. Ele trata de quase todos os aspectos da questão e — vantagem! — é adaptado à realidade brasileira, indicando onde e como achar ferramentas gratuitas para gerenciamento de microempresas. Os capítulos são bem curtos e bastante acessíveis. Mas há dois poréns: 1) o autor foca demais nos serviços do SEBRAE e 2) ele restringe muito sua análise aos negócios com baixa densidade tecnológica, quero dizer, às pequenas lojinhas, comércios, etc. Isto não é bem um demérito, certamente, pois a esmagadora maioria das microempresas brasileiras enquadram-se nesse grupo. O caso é que Bruno Tucano, ops, Caetano não dá a devida ênfase ao empreendedorismo tecnológico e universitário — que é o foco deste blog. Eu recomendo o livro como uma introdução bàsicazinha. Confira abaixo as avaliações dos nossos consultores.

CAETANO, Bruno. "Manual do empreendedorismo: 74 dicas para ser um empreendedor de sucesso." São Paulo: Gente, 2014. 176 páginas. R$ 19,90.

DEPOIMENTOS:

"¿Por que ele parou na dica setenta-e-quatro? ¿Por que ele não foi até a dica setenta-e-cinco? Eu não sei o que há com esse cara, mas não é nada bom!
Doutor Sigismundo Baratinha.

Acho que vou comprar milhares de exemplares desse livro e despejá-los de helicóptero nas repartições públicas. Que terrível atentado farei! 
Doutor Galindo Pinto.
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